A ascensão da inteligência artificial está a remodelar rapidamente as redes sociais, mas um novo inquérito da CNET revela que a maioria dos americanos tem dificuldade em distinguir entre conteúdo autêntico e falsificações geradas pela IA. Apesar da consciência generalizada da presença online da IA, apenas 44% dos adultos norte-americanos que utilizam as redes sociais estão confiantes na sua capacidade de identificar imagens e vídeos criados pela IA. Esta lacuna entre a percepção e a realidade destaca um desafio crescente para os indivíduos que navegam num cenário digital cada vez mais sintético.
A onipresença do conteúdo gerado por IA
Quase todos os adultos norte-americanos (94%) que utilizam as redes sociais acreditam que encontram conteúdo criado ou alterado pela IA. Isso inclui imagens hiperrealistas, vídeos bizarros e textos que imitam a escrita humana com uma precisão perturbadora. Ferramentas como Sora da OpenAI e Nano Banana do Google estão tornando mais fácil do que nunca a produção de deepfakes convincentes, minando a confiança nas informações visuais e textuais.
O problema não é simplesmente que a IA existe; é que a maioria das pessoas não consegue detectá-lo com segurança. Um quarto (25%) dos adultos nos EUA admite que não tem confiança para diferenciar entre mídia real e falsa, com as gerações mais velhas (Boomers, 40%; Geração X, 28%) expressando os níveis mais baixos de certeza.
Como os usuários reagem à mídia gerada por IA
A pesquisa também explorou como as pessoas estão respondendo à proliferação de conteúdo gerado por IA:
- Tentativas de verificação: 72% dos adultos nos EUA tomam medidas para verificar conteúdo quando suspeitos, com a Geração Z (84%) liderando o caminho. O método mais comum é a inspeção visual de artefatos (60%), embora os modelos de IA mais recentes estejam se tornando mais sofisticados para evitar erros óbvios.
- Preocupações com a rotulagem: Metade dos entrevistados (51%) acredita que uma melhor rotulagem do conteúdo gerado pela IA é crucial, especialmente entre a geração Y e a geração Z (56% e 55%, respectivamente).
- Pedidos de restrição: 21% dos adultos nos EUA defendem a proibição total do conteúdo gerado por IA, sendo a Geração Z a mais veemente, com 25%. Outros 36% apoiam uma regulamentação rigorosa.
- Valor percebido: Apenas 11% consideram o conteúdo de IA útil, informativo ou divertido, enquanto 28% o consideram de pouco ou nenhum valor.
Os limites das soluções atuais
Embora algumas plataformas estejam a introduzir ferramentas para filtrar conteúdos gerados por IA (sendo o Pinterest um exemplo), o inquérito sugere um problema sistémico mais amplo. O crescente realismo da IA torna as verificações visuais simples menos eficazes. Métodos alternativos, como a verificação de rótulos (30%) ou a busca de conteúdo em outro lugar (25%), estão se tornando mais importantes, mas mesmo estes têm limitações.
Cerca de 25% dos adultos nos EUA não tomam nenhuma medida para verificar o conteúdo, especialmente entre os Boomers (36%) e a Geração X (29%). Esta inação é perigosa dado o potencial da IA ser usada como arma para fraude, manipulação ou desinformação.
O que pode ser feito?
O combate à desinformação gerada pela IA requer uma abordagem multifacetada:
- Ferramentas de detecção aprimoradas: São necessárias tecnologias de detecção de IA mais sofisticadas, mas elas devem estar à frente das capacidades de rápida evolução da IA generativa.
- Padrões de rotulagem aprimorados: A rotulagem clara e consistente do conteúdo gerado por IA é essencial, embora a fiscalização continue sendo um desafio.
- Educação sobre alfabetização midiática: É fundamental aumentar a conscientização pública sobre os riscos dos deepfakes e da manipulação da IA.
- Responsabilidade da plataforma: As plataformas de mídia social devem assumir maior responsabilidade pela identificação e mitigação da disseminação de conteúdo sintético.
A realidade é que o conteúdo gerado por IA não vai desaparecer. Até que sejam implementadas contramedidas eficazes, os indivíduos devem permanecer vigilantes, cépticos e proactivos na verificação da informação que encontram online. O inquérito sublinha que a confiança naquilo que vemos e lemos está a diminuir, e restaurá-la exigirá um esforço colectivo das empresas tecnológicas, dos decisores políticos e do público.
