Desinformação sobre saúde mental floresce nas redes sociais

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Mais de metade do conteúdo das redes sociais relacionado com saúde mental e neurodivergência é impreciso ou sem fundamento, com o TikTok a emergir como a principal fonte desta desinformação, de acordo com um novo estudo. Isso significa que quando os usuários buscam informações on-line sobre condições como autismo, TDAH, depressão ou ansiedade, muitas vezes encontram afirmações enganosas ou totalmente falsas.

Imprecisão generalizada em todas as plataformas

Os pesquisadores analisaram 27 estudos abrangendo YouTube, TikTok, Facebook, Instagram e X, encontrando desinformação em 17 deles. As taxas variaram significativamente:
– Os vídeos do YouTube sobre ansiedade e depressão tiveram 0% de desinformação.
– Vídeos sobre claustrofobia por ressonância magnética no YouTube apresentavam quase 57% de desinformação.
– O TikTok teve a maior prevalência geral, com 52% do conteúdo relacionado ao TDAH e 41% do conteúdo relacionado ao autismo sendo imprecisos.
– O Facebook teve uma média de menos de 15% de desinformação.

Estes números são alarmantes porque as redes sociais tornaram-se uma fonte primária de informação para os jovens sobre saúde mental. Muitos recorrem agora a plataformas como o TikTok para compreender os seus sintomas ou mesmo para se autodiagnosticar.

Por que isso é importante: o impacto nos jovens

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um em cada sete adolescentes (com idades entre 10 e 19 anos) sofre de um transtorno mental, representando 15% da carga global de doenças nesta faixa etária. Depressão, ansiedade e distúrbios comportamentais são as principais causas de doenças e incapacidades entre os jovens. A propagação de desinformação nestas plataformas pode ter consequências graves:

  • Diagnóstico incorreto: Alegações falsas podem levar os jovens a acreditar que têm condições que não têm, patologizando comportamentos normais.
  • Tratamento tardio: Conselhos imprecisos podem impedir as pessoas de procurar cuidados médicos adequados.
  • Aumento do estigma: A desinformação reforça estereótipos negativos, tornando os indivíduos menos propensos a procurar ajuda.

“O conteúdo do TikTok tem sido associado a jovens que acreditam cada vez mais que podem ter problemas de saúde mental ou de desenvolvimento neurológico”, disse Eleanor Chatburn, coautora do estudo na Universidade de East Anglia. O problema não é apenas que as pessoas estão fazendo perguntas – é que respostas ruins são muito fáceis de encontrar.

Respostas e preocupações da plataforma

A TikTok se defendeu, chamando o estudo de “falho” e citando seus esforços para remover conteúdo prejudicial e fornecer acesso a informações da OMS. O YouTube afirmou que prioriza fontes confiáveis ​​em pesquisas relacionadas à saúde e possui restrições de idade.

No entanto, as conclusões do estudo sublinham a necessidade urgente de uma maior responsabilização da plataforma na moderação de conteúdos de saúde mental. Simplesmente remover a desinformação não é suficiente; as plataformas devem promover ativamente fontes confiáveis ​​e educar os usuários sobre o pensamento crítico.

A proliferação de desinformação sobre saúde mental nas redes sociais representa um risco real para a saúde pública. Até que as plataformas tomem medidas mais eficazes, os jovens continuarão a ser expostos a informações imprecisas que podem prejudicar o seu bem-estar.