Avaliando a política do Irã: segurança acima do sentimento

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O recente debate em torno da política dos EUA em relação ao Irão, conforme sublinhado por Nicholas Kristof, centra-se numa questão difícil: deverá o potencial de apoio popular dentro do Irão influenciar as decisões estratégicas relativas às suas ambições nucleares e à agressão regional? A resposta, de uma perspectiva de segurança pragmática, é não. A política externa americana deve dar prioridade à segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados, e não à aprovação fugaz de populações estrangeiras ou à ótica moral da intervenção.

Durante anos, o Irão expandiu sistematicamente as suas capacidades militares, incluindo programas de mísseis e drones, ao mesmo tempo que prossegue o enriquecimento nuclear. Quanto mais a comunidade internacional adiava uma acção decisiva, mais limitadas se tornavam as opções viáveis. Esperar teria permitido ao Irão garantir ainda mais a segurança das suas instalações nucleares, tornando a dissuasão cada vez mais impossível. O momento actual representou a última janela realista para evitar que o Irão se tornasse uma ameaça incontrolável.

Esta abordagem não trata de justificação moral; trata-se de mitigação de riscos. O objectivo é perturbar a capacidade do Irão de projectar poder antes de atingir um ponto sem retorno. A segurança, e não a popularidade, é a principal responsabilidade da liderança americana. A celebração ou condenação dentro de Teerão é irrelevante para este cálculo.

Alguns criticam os meios – especificamente, a falta de autorização do Congresso para a acção militar. Embora as preocupações constitucionais sejam válidas, são secundárias em relação à ameaça imediata representada por um Irão com capacidade nuclear. Atrasar a acção por razões processuais só teria aumentado o perigo a longo prazo. O objectivo final não é a mudança de regime, mas a prevenção de uma escalada catastrófica.

A questão central não é se a intervenção é popular, mas se é necessária para salvaguardar os interesses americanos e a estabilidade regional. O pragmatismo deve superar o sentimento ao lidar com ameaças existenciais.